NOISE BLEED FEST! - Loja online de Cd, K7, Vinil e Patch

SAUDAÇÕES LIBERTINAS! 

 

RESENHA DO EVENTO NOISE BLEED FEST em Curitiba. 

Eu nunca fui de escrever resenhas sobre os eventos que vou, como os clássicos textos do amigo Pedro HC. Mas o evento do dia 07/09 foi tão foda que merece um comentário mais profundo de minha parte.

Cheguei ao 92 Graus (local do evento) às 22:20h (estava previsto para as 22h) a primeira banda já estava no palco, o que mostra um comprometimento da organização com a pontualidade. Tentei arrumar a mesinha com os materiais da Libertinus Records o mais rápido possível para ver a DIVULSOR (Brutal Death de Curitiba) no palco, pois estava muito curioso para ver essa “one man band” ao vivo no estilo do Putrid Pile. Mas não deu… Muita gente cercou a área dos merchans e fizeram boas compras logo no início! Pelo menos consegui ouvir a toda a brutalidade da banda. Um death metal podre e com momentos de groove/slam.

Passado o sufoco inicial, pude dar uma olhada na apresentação do RETALIAÇÃO INFERNAL (Death Metal de Curitiba). O quarteto tocou um death old school de altíssima qualidade, com momentos que lembram Cannibal Corpse antigo. O vocal de Larissa Pires é técnico e visceral ao mesmo tempo, muito brutal! Em alguns momentos me pareciam um pouco “travados” no palco, talvez pela recente mudança de formação, mas nada que diminuiu a intensidade do show. Acredito que a banda tem um grande potencial e merece lançar um full com tudo que tem direito: bom trabalho de capa/projeto gráfico, qualidade de gravação e boa distribuição. Aposto todas as minhas fichas de que, se isso ocorrer, ouviremos falar muito sobre o Retaliação Infernal na cena da música extrema do país.

A terceira banda foi a CROTCHROT (Gore Grind de Curitiba). Simplesmente um escracho! O vocalista Hugo apareceu em frente a banca da Libertinus falando sozinho, enquanto se ouvia riffs pesadíssimos vindo do palco. De repente o cara veste uma máscara de Lula e e saca uma faca de cortar pão do bolso e corre de encontro ao resto do conjunto. Eu o segui. Pude presenciar uma performance ímpar: um som extremamente pesado, com riffs dançantes e com cadência (ideal para fãs de Gutalax, Rompeprop e adjacências), com um conceito altamente irônico, escarnecedor e depravado. Confesso que antes de vir morar em Curitiba eu não via com bons olhos o conceito e temática da banda, achava que era só “festinha pela festinha”. Pura falta de entendimento de minha parte! As letras da Crotchrot fazem críticas de maneira sarcástica aos padrões sociais impostos pelo sistema, além de refletir e expor as feridas da própria cena undergroud, como por exemplo, na música “Brochas from Hell”, onde fazem alusão a um “polêmico caso” da cena de São Paulo e de “passadas de pano” tão comuns no nosso meio. O humor é uma forma importante e necessária de denúncia e reflexão, seja na literatura, cinema, teatro e, (por que não?) na música extrema!

Logo em seguida foi a vez do DISTANÁSIA (Maringá-PR) destruir tudo com um Crust/HC muito, muito marcante. A banda é quase perfeita dentro de sua proposta, muito entrosados no palco e criativos musicalmente falando. Os riffs e timbres que invadiram meus ouvidos geraram uma enorme onde de prazer e, ao mesmo tempo, vontade de destruir tudo que eu encontrasse pela frente. Somente depois de um bom tempo de show eu percebi que a banda estava apenas com uma guitarra (até onde tinha ouvindo e visto vídeos, originalmente eles são um quinteto), mas não sei o motivo da formação mais “econômica”. Mesmo com um instrumento a menos, a apresentação foi de altíssima qualidade.

Fechando a noite, o veteranos do ROT (Grindcore de São Paulo-SP). Ainda é difícil encontrar palavras para descrever a experiência que tive ao ver esses caras no palco, afinal, são quase 30 anos de grindcore, uma vida dedicada ao som extremo. Tenho que admitir que ainda estava com algumas interrogações sobre como seria esse show após a mudança para a atual formação. Eu, como fã, não consigo desvincular a imagem de Marcelo (vocais 1990-2008, 2012-2016) da banda, não estou com discurso de “viúva”, mesmo porque acredito que as coisas devem seguir em frente, e nesse caso, creio que não há “vilões”. Mas mesmo com essa “ausência”, o Rot continua animal, destruidor e se mantém firme no topo do grind do planeta! A apresentação foi intensa, quase impossível de respirar, pois mal terminava um som e os caras já emendavam outro sem pena! A qualidade do som (presente em todos os cinco shows da noite) ajudou a destacar os riffs já característicos da banda. Muitos clássicos dos anos 90 foram executados, e tenho que destacar que a nova dupla de vocais caiu como uma luva, a entrada de Henrick (Xico Picadinho) e Felipe Leprose (Ex-Skarnio) representa um encontro de duas gerações de grinders na mesma banda, simplesmente FODA! E por falar em encontro de gerações, um dos pontos altos do show foi a participação da lenda do gore nacional André Luiz (Lymphatic Phlegm, Offal) nos vocais em um dos sons. Noite perfeita!

O Noise Bleed Fest ficará na memória como um dos melhores eventos que tive o prazer de ir, desde que estou morando em Curitiba. O histórico Bar 92 Graus estava lotado: muita gente de bandas, amigos, molecada nova, e muitos punks ocuparam aquele espaço, mostrando que a nossa cena é forte e tem potencial, basta apenas nos unirmos em torno dessa ideia. Além disso, a lição que fica é que dá pra ser underground e organizado ao mesmo tempo, pois o evento não teve atrasos, contou com um bom som e com um cast muito bem montado. Já estou no aguardo do próximo!

Por Gustavo Madruga

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ENTRAR | CRIAR CONTA